Debate político: Papel da mulher na eleição

Candidatas competitivas e predomínio do voto feminino marcam pleito.

Dianteira de José Serra entre eleitoras movimenta campanha petista.


Thiago Guimarães e Maria Angélica Oliveira Do G1, em São Paulo

Militantes do PT na convenção que lançou Dilma
Rousseff à Presidência (Foto: Reprodução)

Quase 80 anos após as brasileiras conquistarem o direito ao voto, a mulher está no centro do debate político da eleição presidencial deste ano.

Pela primeira vez, duas mulheres - a ex-ministra Dilma Rousseff (PT) e a senadora Marina Silva (PV) - estão entre os três principais candidatos. Pela última pesquisa do Ibope, ambas somam 46% das intenções totais de voto.

Mas até agora o preferido das eleitoras é José Serra (PSDB). O ex-governador alcança, segundo o Ibope, 38% dos votos entre as mulheres, contra 33% de Dilma e 10% de Marina.

20/06/2010 07h00 - Atualizado em 20/06/2010 07h00 Papel da mulher na eleição alcança centro do debate político no Brasil Candidatas competitivas e predomínio do voto feminino marcam pleito. Dianteira de José Serra entre eleitoras movimenta campanha petista.

Thiago Guimarães e Maria Angélica Oliveira Do G1, em São Paulo imprimir

Quase 80 anos após as brasileiras conquistarem o direito ao voto, a mulher está no centro do debate político da eleição presidencial deste ano.

Pela primeira vez, duas mulheres - a ex-ministra Dilma Rousseff (PT) e a senadora Marina Silva (PV) - estão entre os três principais candidatos. Pela última pesquisa do Ibope, ambas somam 46% das intenções totais de voto.

Mas até agora o preferido das eleitoras é José Serra (PSDB). O ex-governador alcança, segundo o Ibope, 38% dos votos entre as mulheres, contra 33% de Dilma e 10% de Marina.

Maioria do eleitorado brasileiro desde as eleições de 2000, as mulheres representam hoje 51,8% dos votantes no país. São 69,4 milhões de votos femininos e 64,4 milhões de eleitores homens (48% do total).

A vantagem atual de Serra entre as mulheres alimenta o debate sobre questões de gênero na eleição e movimenta as campanhas, que reforçam a busca ao voto feminino.

Exemplo dessa aposta ocorreu na convenção do PT que oficializou a candidatura de Dilma à Presidência. A mulher foi o tema do encontro de 13 de junho, que exibiu vídeo com brasileiras que marcaram época, como a compositora Chiquinha Gonzaga (1847-1935).

"O Brasil do Lula será governado com a alma e o coração de uma mulher", disse Dilma na ocasião. Como parte da estratégia, a candidata cita a filha e o futuro neto em entrevistas e já até cozinhou omelete na TV.

Para o cientista político Antonio Lavareda, filiado ao PSDB e especialista em campanhas eleitorais, a ênfase na mulher é uma “escolha inteligente do PT”.

“É uma forma de mobilizar a emoção para a campanha da Dilma, que é uma candidata sem muito carisma”, afirma.

Hipóteses para baixo rendimento Lavareda enumera duas possíveis razões para o “gap” [disparidade] de gênero na performance de Dilma.

Uma delas é o suposto desconhecimento de Dilma - e de sua condição de candidata de Lula - entre as eleitoras mais pobres. Na última pesquisa Datafolha, 71% dos entrevistados citaram a ex-ministra como o nome apoiado pelo presidente.

Outra possível razão é a "herança" de Lula. Considerando as pesquisas mais próximas da votação, o presidente sempre teve menos votos entre as mulheres nas cinco eleições majoritárias que disputou.

O consultor em marketing político Chico Santa Rita aposta na primeira hipótese como motivo das dificuldades de Dilma e minimiza o peso do gênero na votação. Diz que a votação de homens e mulheres nos candidatos tende a se equilibrar no decorrer da campanha.

“A questão de gênero não existe na eleição”, afirma.

Em busca do voto feminino O presidente do PT, José Eduardo Dutra, também diz acreditar na tendência de equilíbrio dos votos ate a reta final da campanha. Reconhece, contudo, que as eleitoras demandam “mais cuidado” para serem conquistadas.

“A mulher demora mais a se definir, é mais desconfiada, quer mais informação. Pesquisas mostram que há mais indecisas do que indecisos”, afirma Dutra, para quem esse dado explica a diferença atual entre Dilma e Serra no eleitorado feminino.

“Quando se faz pesquisa perto da eleição há uma aproximação muito grande dos votos de homens e mulheres para o mesmo candidato. Não acho que tenha essa definição de voto diferente, de mulheres e de homens", diz.

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